terça-feira, 3 de março de 2015

ROTEIRO HOMILÉTICO DO 3.º DOMINGO DA QUARESMA – ANO B – ROXO – 08.03.2015

ROTEIRO HOMILÉTICO DO 3.º DOMINGO DA QUARESMA – ANO B – ROXO – 08.03.2015

Q1503: A Lei e o Templo

Em nossas casas, costumamos limpar todos os dias.
Assim mesmo, de vez em quando sentimos a necessidade
de uma limpeza geral... lavamos as paredes... o teto...
os vidros... para tirar o mofo que foi se acumulando...
A Quaresma também é um tempo de purificação
propício para renovar nossa vida cristã e purificar o nosso coração
daquelas impurezas que foram se acumulando ao longo do tempo.

As leituras bíblicas tratam de dois pontos fundamentais da religião judaica:
a Lei de Deus e o Templo, que, com o passar do tempo,
também estavam precisando de uma purificação...
Cristo se apresenta como a nova Lei e o novo Templo.

Na 1a Leitura Deus entrega a LEI, num contexto de êxodo e de Páscoa,
como parte de uma Aliança. (Ex 20,1-17)

- É um momento fundamental na história da Salvação.
  Deus se apresenta desde o começo como Libertador:
  "Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou da escravidão do Egito"
  Os 10 mandamentos brotavam do amor de um Deus "Libertador",
  que depois de ter libertado seu povo da escravidão material do Egito,  
  queria libertá-lo também da escravidão moral das paixões e do pecado.
- Deus não deu as leis do Decálogo para serem um atentado
  contra a liberdade humana.   Pelo contrário, para os homens sejam livres
  e   respeitem a liberdade dos outros.
- Os Mandamentos indicavam o caminho seguro para ser feliz e
  ser o Povo da Aliança, colaborador de Deus no Plano da Salvação…
- Mas Israel não foi fiel a esse compromisso:
  muitos abusos e desvios esvaziaram o verdadeiro sentido do decálogo…
- Era necessário restaurar a antiga Lei, completá-la, aperfeiçoá-la…
  sobretudo no sentido do amor e da interioridade…
  libertando-a de todo formalismo.
  Precisava uma Nova Aliança, uma NOVA LEI. É o que Cristo veio realizar:
  "Não vim suprimir a Lei… mas completar, aperfeiçoar…"

Na 2ª Leitura, Paulo afirma que seu projeto de Salvação
passa pela morte na cruz:
"Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e
loucura para os gentios" (1Cor 1,22-25)
A Cruz de Cristo pode parecer loucura e sinal de fraqueza.
Todavia, Deus transformou a cruz em sabedoria e caminho de salvação.

No Evangelho, Jesus se apresenta como o NOVO TEMPLO(Jo 2,13-25)

O Templo era um lugar muito sagrado para os judeus.   
Todo judeu devia ir ao templo ao menos uma vez por ano
para oferecer um sacrifício a Deus. 
Estas ofertas para os sacrifícios faziam girar muito dinheiro...
e provocavam abusos e exploração.
O gesto ousado de Cristo não é apenas zelo de purificação do templo.
É anúncio da abolição do velho templo e do culto aí celebrado.
O antigo templo já tinha concluído a sua função.
Surgirá um novo templo, não construído de pedras e por mãos humanas,
mas o "lugar da Presença" viva de Deus: JESUS CRISTO.

Passamos do templo de pedra (projeto de Davi e realizado por Salomão)
ao Templo sonhado pelos profetas (fonte de vida e luz para todos os povos),
para chegar ao Senhor ressuscitado, o templo verdadeiro
em quem Deus manifesta a sua glória em favor de todos os homens.
Caminhamos todos para um "templo definitivo", que se identifica
com o mundo inteiro, quando esse se converte em casa do Pai,
isto é, a casa onde todos os homens se reconhecem irmãos.

Jesus nos convida a sermos templo no qual está presente Deus
e nele se oferece um verdadeiro culto em espírito e verdade..

Qual o Templo que devemos purificar?
- Nosso coração deve ser um sinal de Deus para os irmãos.
- Nossas comunidades devem dar testemunho da vida de Deus.
- A Igreja deve ser essa "Casa de Deus" onde as pessoas podem encontrar
   a proposta de libertação e de Salvação que Deus oferece a todos.
- O "Culto", que Deus aprecia, deve ser uma vida
   vivida na escuta de suas propostas e traduzida em gestos concretos
  de doação, de entrega, de serviço simples e humilde aos irmãos.
- Jesus purificou o templo de seus profanadores e
   nos convida a purificar também o templo de nosso coração.

* Qual a nossa atitude diante da Lei de Deus?
   É uma cerca que nos prende ou um caminho seguro para uma vida feliz?
* Qual o respeito que temos na casa de Deus... (antes, durante, depois…)
   - Se Cristo voltasse hoje às nossas igrejas… o que aconteceria?
     A quem deveria expulsar com o chicote?

A Campanha da Fraternidade nos lembra outro templo sagrado,
também profanado pela ganância dos "vendilhões" de hoje.
A Pessoa humana é esse lugar sagrado,
onde Deus quer ser respeitado e servido…

Essa celebração deve nos levar a refletir sobre o ESPÍRITO
com que vivemos a nossa religião:
diante da Lei de Deus, nas práticas religiosas de nossa religião
e no respeito à pessoa humana !…

Só assim o nosso culto será realmente agradável a Deus!

                                                                Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 08.03.2015

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

ROTEIRO HOMILÉTICO DO 2.º DOMINGO DA QUARESMA – ANO B – ROXO – 01.03.2015

ROTEIRO HOMILÉTICO DO 2.º DOMINGO DA QUARESMA – ANO B – ROXO – 01.03.2015



ROTEIRO HOMILÉTICO DO 2.º DOMINGO DA QUARESMA – ANO B – ROXO – 01.03.2015

Q1502: "Escutai-o"

Aqui estamos reunidos em assembléia para ESCUTAR
a Palavra de Deus e celebrar a Eucaristia.
A Escuta dessa Palavra nos revela os Planos de Deus e
nos aponta o caminho a seguir para chegar à vida plena.

As leituras bíblicas de hoje nos apresentam dois exemplos
na CAMINHADA DA FÉ: a fé de Abraão e a fé dos Apóstolos.

A 1a Leitura fala da fé de Abraão. (Gn 22,1-2.9.10-13.15-18)

A narrativa faz parte das "tradições patriarcais", sem caráter histórico.
Destina-se a apresentar Abraão como MODELO DE FÉ:
Ele vive numa constante ESCUTA da Palavra de Deus,
aceita os apelos de Deus, e lhe responde com obediência total, mesmo oferecendo o filho Isaac. Abraão ensina a confiar em Deus, mesmo quando tudo parece cair à nossa volta, e quando os caminhos do Senhor se revelam estranhos e incompreensíveis. Sua obediência tornou-se uma fonte de vida
para ele, para a sua família e para todos os povos...

O sacrifício de Isaac é símbolo do sacrifício de Jesus.
Isaac foi substituído por um cordeiro, Cristo é o verdadeiro Cordeiro
sacrificado para a salvação do mundo.

Na 2a Leitura, Paulo retoma a figura de Isaac,
subindo o monte Moriá, com a lenha do sacrifício às costas,
como imagem de Cristo que também sobe o monte Calvário,
carregando às costas o lenho da Cruz. (Rm 8,31-34)

É um hino, em que Paulo canta entusiasmado o Amor de Deus.
O fundamento de nossa fé é o amor fiel e incondicional a Deus.

O Evangelho fala da fé dos Apóstolos: (Mc 9,2-10)

Na caminhada para Jerusalém, o 1º Anúncio da Paixão e Morte de Jesus
abalou profundamente a fé dos apóstolos.
Desmoronaram seus planos de glória e de poder.
Para fortalecer essa fé ainda tão frágil… Cristo tomou três deles...
subiu o Monte Tabor e "TRANSFIGUROU-SE…"
- Proposta de Pedro: "É bom estar aqui! Vamos fazer três tendas..."
- Proposta de Deus: "Este é o meu Filho amado, ESCUTAI-O!".

* A transfiguração de Jesus é uma Catequese que revela
aos discípulos e a nós Quem é Jesus: o FILHO AMADO DE DEUS:
Um novo MOISÉS que dá ao seu povo uma NOVA LEI e
através de quem Deus propõe aos homens uma NOVA ALIANÇA
As figuras de Elias e Moisés ressaltam que a Lei e as Profecias
são realizadas plenamente em Jesus.
O mundo se transforma quando acolhemos a voz do Pai...
+ Em nossa caminhada para a Páscoa,
somos também convidados a subir com Jesus a montanha e, na companhia dos 3 discípulos, viver a alegria da comunhão com ele. As dificuldades da caminhada não podem nos desanimar. No meio dos conflitos, o Pai nos mostra desde já sinais da ressurreição e do alto daquele monte ele continua a nos gritar:
"Este é o meu Filho amado, ESCUTAI-O".
- Não desanimemos, os Planos de Deus não conduzem ao fracasso,
  mas à Ressurreição, à vida definitiva, à felicidade sem fim.

+ Vocês têm fé? O que é ter fé? O que é mesmo a fé?
   É apenas uma adesão da inteligência a algumas verdades,
   que decoramos na catequese? É muito mais...

A FÉ É:

- É a Adesão de nossa vida a Deus...
  É acolher Deus que quer fazer sua história junto conosco...
  É fazer a vontade de Deus... (tanto no Tabor, como no Calvário)
- É um Dom gratuito de Deus (Não foi Abraão que tomou a iniciativa)

A FÉ EXIGE:

- Uma Resposta da pessoa a uma Palavra, a uma Promessa...

- Um Serviço pronto e generoso na Obra de Deus...  

- Uma Ruptura: Deixar a terra dos ídolos que nos prendem…
   e abraçar o desconhecido… (experiência de Abraão)

- Escutar atentamente tudo o que Jesus diz, seguindo seus passos com confiança total, mesmo nos momentos difíceis e incompreensíveis…

- Reconhecer esse Cristo desfigurado, presente na pessoa dos irmãos...   e estender a mão para servi-los...  É fácil reconhecer o Cristo transfigurado no Tabor…  Mais difícil é reconhecê-lo desfigurado no Monte Calvário...   

- Ação: Não podemos ficar no Monte... de braços cruzados....
Descer a montanha foi para os discípulos muito mais difícil do que subi-la.
Pedro deseja se estabelecer no alto da montanha e ali vivenciar a vida cristã como se fosse um eterno retiro, longe do barulho das pessoas, das cidades...
Um lugar ideal para viver de contemplação.

Quando ouvimos a própria voz, deixamos de ouvir a voz de Deus.                                      
O seguidor de Cristo deve "descer o monte" para enfrentar o mundo
e os problemas dos homens e testemunhar aos homens o dom da vida.
Somos todos convidados a ser Missionários da Transfiguração…

                                        Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 01.03-2015

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

HORÁRIOS DAS CELEBRAÇÕES DE CINZAS


ROTEIRO HOMILÉTICA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS – ANO B – ROXO – 18.02.2015

ROTEIRO HOMILÉTICA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS – ANO B – ROXO – 18.02.2015

Q1500: Cinzas: Voltai ao Senhor

Com a bênção e a imposição das CINZAS,
iniciamos hoje o tempo Sagrado da Quaresma
em preparação à Páscoa e a Campanha da Fraternidade...
É um apelo à conversão e a uma renovação interior.
As Leituras aprofundam esse tema:

A 1ª Leitura é um convite à CONVERSÃO:
"Voltai para mim de todo o coração". (Jl 2,12-18)

Diante das dificuldades causadas pela dominação estrangeira,
pela seca e pelas pragas dos gafanhotos, o Profeta Joel exorta 
"a voltar para o Senhor de todo o coração,
pois ele é compassivo, paciente, misericordioso".

* Hoje o Senhor nos dirige o mesmo apelo:
"Voltai para mim de todo o coração". A Quaresma é esse tempo oportuno.
Não obstante nossas infidelidades, nossas fraquezas, nossas indecisões,
Deus guiará certamente nossos passos para o encontro com ele.

O Salmista, confiante na misericórdia do Senhor,
suplica um coração novo e um espírito renovado
para trilhar o caminho da Aliança. (Sl 51)

A 2ª Leitura é um convite à RECONCILIAÇÃO:
"Deixai-vos reconciliar com Deus". (2Cor 5,20-6,2)

Paulo convida a viver a reconciliação oferecida por Cristo
que assumiu o nosso pecado, as nossas fragilidades.
Por isso insiste que "este é o tempo favorável",
o tem da graça, que o Senhor nos proporciona,
para cooperarmos com a sua obra redentora.

No Evangelho, Jesus lembra três práticas da religiosidade judaica,
cuja prática é recomendada na Quaresma: A Esmola, a Oração e o Jejum
e o espírito com que devem ser praticadas.  (Mt 6,1-6.16-18)

1) A Esmola deve ser "em segredo" e não uma ocasião
para se exibir ou para ser elogiado publicamente.
"Que tua mão esquerda não saiba o que faz a direita".
  * Hoje, mais do que esmola falamos de solidariedade, de partilha,
     de atenção aos necessitados.

2) A Oração não deve ser uma repetição monótona de fórmulas,
nem mesmo uma lista de petições.
Deve ser um Diálogo com Deus para entender e aceitar o seu projeto.
Essa Oração é escuta e abertura do coração para nos dispor a acolher
os planos de Deus em nós. Requer tempo e ambientes adequados.

3) O Jejum pregado por Jesus afasta-se do jejum dos fariseus e
alinha-se mais com o jejum dos profetas. Não é expressão de luto e de dor,
mas sim expressão de alegria pela presença do Reino de Deus no mundo.
É interessante notar, que o Novo Testamento fala pouco do jejum.
Paulo não o menciona. Jesus fala disso em apenas duas ocasiões:
uma para justificar seus discípulos que não jejuam;
a outra no episódio de hoje, quando diz o espírito do verdadeiro jejum.

FRATERNIDADE: Igreja e Sociedade,

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil promove,
todos os anos, a Campanha da Fraternidade.
O tema tem o seu ponto forte, como reflexão, compromisso e ação.
É uma das formas que temos de concretizar a Quaresma.
Ao assumir a Campanha, abrimos o coração à conversão,
participando da construção de uma sociedade
que busca ser justa, humana e fraterna.
Para este ano, os Bispos do Brasil convidam
a todos os católicos e pessoas de boa vontade
a refletirem sobre o relacionamento entre Igreja e sociedade.

Neste ano o TEMA é "Fraternidade: Igreja e Sociedade"
e o LEMA "Eu vim para servir" (Mc 10,45).

O Objetivo geral é "aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Vaticano Segundo,
como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus":

Para atingir o objetivo geral, os Bispos apresentam objetivos específicos.
São eles: - Primeiro: "Compreender a situação atual da relação entre a Igreja
e a sociedade". - Segundo: "Discernir as questões que desafiam a evangelização no serviço eclesial à sociedade". - Terceiro: "Fazer memória do caminho percorrido pela Igreja em diálogo e colaboração com a sociedade, a serviço
da vida e do bem do povo brasileiro". - Quarto: "Aprofundar a questão da dignidade da pessoa, da integridade da criação e da cultura da paz, em espírito ecumênico e de diálogo inter-religioso". - Quinto: "Incentivar as pessoas e as comunidades a exercerem seu protagonismo no contexto social em que vivem". - Sexto: "Atuar profeticamente, à luz da evangélica opção pelos pobres,
para o desenvolvimento integral da pessoa e para a construção de uma sociedade justa e solidária". -  Sétimo: "Identificar os fatores que constroem a paz
e o bem comum, para superar as relações desumanas e violentas".

+ As CINZAS, que hoje recebemos, significam nosso compromisso,
dentro do espírito que a Igreja nos propõe: Oração, jejum, caridade...
Que essas cinzas nos levem a um esforço pessoal e comunitário,
para estar sempre mais a serviço dos irmãos...


                                           Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 18.02.2015

ROTEIRO HOMILÉTICA DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS – ANO B – ROXO – 18.02.2015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

ROTEIRO HOMILÉTICO DO 6.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B – VERDE – 15.02.2015

ROTEIRO HOMILÉTICO DO 6.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B – VERDE – 15.02.2015
FONTE: http://www.buscandonovasaguas.com/
Antífona de entrada:
Sede o rochedo que me abriga, a casa bem defendida que me salva. Sois minha fortaleza e minha rocha; para honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais (Sl 30,3s).
Comum 1506: Os Excluídos

Marcos, no seu Evangelho, vai mostrando: "Quem é Jesus".
Não se preocupa com definições abstratas...
mas apresenta concretamente Jesus agindo.
A partir de seus gestos, podemos descobrir quem ele é:
- Jesus liberta o homem possuído por um espírito mau;
- Estende a mão à sogra de Pedro e ajuda a levantar-se;
- HOJE vemos a sua atitude para com os marginalizados e EXCLUÍDOS.

A 1 a Leitura mostra severa discriminação dos LEPROSOS,
na lei de Moisés:
"O leproso andará com vestes rasgadas, cabelos soltos e barba coberta...
Viverá isolado, morando fora do acampamento...
Ao se encontra com alguém, deve gritar: sou impuro..." (Lv 13,1-2.44-46)

O preceito se explica pela preocupação de contágio
e pelo conceito dos hebreus, que viam na lepra um castigo de Deus...
O Leproso era assim um castigado de Deus e um excluído da comunidade.

Na 2ª Leitura, Paulo convida a "fazer tudo para a glória de Deus". (1Cor 10,31-11,1)

No Evangelho, vemos a atitude de Cristo para um LEPROSO:
purifica o doente e o reintegra na sua comunidade. (Mc 1,40-45)

- Um leproso, contrariando a lei, aproxima-se de Jesus...
e de joelhos implora: "Se queres, podes limpar-me..."
- Jesus "se compadece", "estende a mão e toca-o..."
  e restitui a saúde: "Eu QUERO, fica curado..."

Ao acolher e tocar o leproso, Jesus transgredia a lei, que proibia tocar neles.
Mas logo em seguida a cumpre: manda apresentar-se ao Sacerdote,
a quem cabia a decisão de reconhecer a cura e reintegrar na comunidade.
Para Cristo, a caridade está acima da Lei...
Jesus "compadecido" cura dois males: o mal da solidão e o mal da lepra.
E reintegra o leproso na convivência fraterna...

- O Leproso, ao experimentar o poder salvador de Jesus,
torna-se um ardoroso testemunha do amor e da bondade de Deus.

* Deus não exclui ninguém.
Todos são chamados a integrar a família dos filhos de Deus.
O Leproso não é um marginal, um pecador condenado, um homem indigno,
mas um filho amado a quem Deus quer oferecer a Salvação e a vida.

* O Caminho do leproso deve ser o caminho de todo discípulo:
- Vir a Jesus, aceitar a própria limitação humana,
- experimentar a misericórdia e o poder libertador do Senhor
- e finalmente tornar-se testemunha das grandes obras de Deus.



* Outros vêm nesse episódio elementos do Sacramento da Penitência:
A Penitência é um encontro com Jesus, que cura da lepra do pecado e
re-introduz na comunidade eclesial.

Os leprosos de hoje...

Infelizmente a "lepra" ainda hoje existe em nossa sociedade e na Igreja.
Há muitos excluídos, mantidos "fora do acampamento".
- São rejeitados, como se fossem leprosos, todos os "DIVERSOS":
os que pensam ou agem diferente de nós....

- E quando alguém se sente um "leproso", a quem ele deve se dirigir?
  Será que poderá contar com o apoio dos cristãos de sua comunidade,
  com a mesma confiança do leproso que procurou Jesus ?

Leprosos de hoje são os que vivem nos barracos das favelas das cidades ricas;
são os desempregados das cidades industriais; os jovens drogados,
vítimas de uma sociedade consumista; são as crianças abandonadas;
são os idosos sem vez no emprego e na família, como produto descartável...
= São lepras que matam muito mais do que a lepra do tempo de Jesus.

+ Jesus não teve repugnância dos leprosos...

   Pelo contrário, aproxima-se deles, porque vê neles um filho de Deus.
 * Qual é a nossa atitude para com eles?
     Nossos preconceitos, nosso legalismo não estão criando
     marginalização e exclusão para os nossos irmãos?

- Jesus sentiu "compaixão"...
* O que sentimos diante do sofrimento, da injustiça, da miséria de um irmão?  
   "Estendemos a mão" ou apenas lamentamos: "Coitado"?

O encontro com Jesus transformou totalmente a vida do leproso.
Ele não podia esconder a alegria, que esse encontro produziu na sua vida
e sentiu a necessidade de dar testemunho.

* O nosso encontro com Cristo nessa eucaristia nos torna capazes
de testemunhar no meio de nossos irmãos, com alegria e entusiasmo,
a libertação que Cristo nos trouxe?

- Quais são os NOSSOS leprosos... que excluímos do nosso convívio?
  Estamos dispostos, a exemplo de Cristo,
  nos aproximar deles e estender a nossa mão?

O Leproso não tem nome,
não se diz o lugar, nem o tempo em que foi curado.
É para que o nome seja o MEU, o lugar seja AQUI, e o tempo seja AGORA.
- Qual é a sua lepra?
Quando o Evangelho é anunciado, se me entrego a Jesus e me converto,
realiza-se em mim aquilo que é narrado: "Quero, fica purificado".


                                            Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 15.02.2015

ROTEIRO HOMILÉTICO DO 6.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B – VERDE – 15.02.2015


Antífona de entrada:

Sede o rochedo que me abriga, a casa Bem defendida que me salva. Sois Minha fortaleza e Minha Rocha; Pará honra Fazer Vosso nome, Vos me conduzis e alimentais (30,3s SL).
Estilo

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

ROTEIRO HOMILÉTICO DO 5.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B – VERDE – 08.02.2015

ROTEIRO HOMILÉTICO DO  5.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B – VERDE – 08.02.2015

               Comum 1505: O Sofrimento

A Liturgia dominical procura sempre iluminar a nossa vida
nas mais diversas situações.
Uma situação concreta que aflige o homem
de todos os tempos é o SOFRIMENTO.

- Por que há no mundo tantas pessoas sofrendo?
   Ninguém gosta de sofrer… mas o sofrimento existe:
   injustiças, guerras, calamidades, pobreza, fome, discórdias, doenças…
- Quem é o culpado? Seriam os nossos pecados? É um castigo de Deus?
  Como explicar então os inocentes... o Cristo na cruz?
  Por que Deus permite essas coisas sem intervir?
  Por que o justo também sofre e o malvado parece estar em situação melhor?
  - Qual é o sentido do sofrimento e da dor?

As leituras bíblicas nos dão uma resposta...

Na 1ª leitura, vemos a experiência do Sofrimento de Jó (Jó 7,1-4.6-7)

Jó é um homem justo e fiel ao Senhor.
Possuía muitos bens e uma família generosa.
De repente, viu-se privado de todos os seus bens, perdeu a família e
foi atingido por uma doença grave.
Essa triste situação provoca no coração dolorido de Jó
sentimentos de amargura e de revolta contra esse Deus incompreensível.
Até os amigos insinuam ser castigo de Deus…
Jó lamenta sua condição de sofredor, mas confia em Deus,
pois tem a certeza de que só em Deus pode encontrar
esperança e o sentido para a sua existência.

* A experiência de Jó no sofrimento é um modelo para todos os que têm fé.
Mesmo amaldiçoando seu próprio nascimento, Jó não amaldiçoa Deus,
pelo contrário, reconhece e louva sua sabedoria e suas obras na criação:
o abismo de seu sofrimento pessoal não lhe fecha os olhos
para a grandeza de Deus
- Diante do sofrimento, ou descobrimos o rosto verdadeiro de Deus,
  ou fazemos dele um monstro, que nos devora e inferniza a nossa vida…
- Não nos esqueçamos: o Sofrimento pode ser uma visita de Deus
  E quando entendermos isso, tudo fica muito diferente…
  "Não nascemos para sofrer, mas o sofrimento nos faz crescer..."

Na 2ª Leitura, a expressão "ai de mim se não evangelizar"
traduz o princípio fundamental da vida de São Paulo. (1Cor 9,16-19.22-23)

No Evangelho, vemos Jesus diante do sofrimento (Mc 1,29-39)

O texto narra uma jornada messiânica de Jesus,
no início de sua missão pública na Galiléia.
Inicialmente, mostra o Messias proclamando o Reino de Deus.
A seguir, mostra a realidade do Reino atuando no mundo
como salvação e libertação, nas palavras e gestos de Jesus.
Apresenta Jesus agindo diante de uma multidão de sofredores:
Ele aparece solidário à dor dos homens e atento às suas necessidades.
Com a autoridade que lhe vem do Pai e em comunhão total com o Pai,
Jesus vence o mal e a dor que escravizam o homem e
anuncia um mundo novo de liberdade e de vida plena.

- Sai da sinagoga e na casa de Pedro:
   Aproxima-se da sogra de Pedroestende a mãoe a "levanta"
   Ela retoma a vida normal, acolhe e serve os hóspedes...
- "Todos o procuram... Cura muitos doentes e endemoniados"…
- "De madrugada, levanta-se e vai rezar, num lugar DESERTO…":

à Com a pregação: ilumina os espíritos, revela o amor de Deus,
     leva as almas à fé, dá sentido à dor… e mostra o caminho da salvação.
à Com os milagres: cura corpos enfermos… expulsa demônios…
     Quer um mundo novo, sem qualquer forma de dor...
à Com a oração: compreende o plano de Deus e aceita a vontade do Pai…
     Só a verdadeira oração pode nos iluminar o sentido da dor…

+ O sofrimento continuará sempre sendo um mistério
Jesus não elimina o sofrimento, mas nos ensina a carregá-lo
com amor e esperança, para que dê frutos de vida eterna…
Jesus nos garante de que Deus nunca nos abandona…
Resta-nos confiar em Deus e entregar-nos em seu amor.

Os cristãos não descobriram o caminho para evitar o sofrimento.
Sofrem como os outros e, às vezes, até mais do que os outros,
mas descobriram que a Cruz de Jesus Cristo é redentora.

Carregar a cruz sozinhos é desesperador…
Mas unidos a Cristo, todo sofrimento é salvador, inclusive o nosso…

* Qual é a nossa atitude diante dos nossos sofrimentos?
   - de aceitação... ou de revolta? (Jesus: no Getsêmani... no Pai Nosso...)
* Qual é a nossa atitude diante do sofrimento dos outros?
          - Estendemos a mão e ajudamos a se libertar?

 * No dia 11/02, celebramos o 23º Dia mundial do enfermo.
O Papa nos propõe como Lema uma frase de Jó:
"Eu era os olhos do cego e servia de pés para o coxo" (Jó 29, 15),
que devemos meditar com a sabedoria do coração.
Sabedoria do coração é servir o irmão... Sabedoria do coração é estar
com o irmão. Sabedoria do coração é sair de si ao encontro do irmão...
Sabedoria do coração é ser solidário com o irmão, sem o julgar.

Rezemos para que Deus nos dê muita luz para compreender o mistério do sofrimento e muita coragem para carregá-lo com amor. 


                                                                          Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 08.02.2015

ROTEIRO HOMILÉTICO DO 5.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B – VERDE – 08.02.2015

Antífona de entrada:

Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus (Sl 94,6s).