quinta-feira, 22 de novembro de 2012

ROTEIRO HOMILÉTICO DO XXXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B




FONTE: http://www.buscandonovasaguas.com/
Neste último Domingo do Ano Litúrgico,
concluímos a caminhada como "discípulos"
proclamando CRISTO, REI DO UNIVERSO.
Hoje comemoramos também o Dia do Leigo,
que é chamado a colaborar com Deus na construção desse Reino.

Por que essa Festa?

- Se no ano todo revivemos a vida e as mensagens de Cristo e do seu Reino...
- Se entre as nações é um regime político um tanto abandonado…
- Se entre os homens são tidos como Reis,
  os possuidores de poder, de glória, bens materiais?

No entanto a Igreja achou oportuno coroar o Ano Litúrgico com esta festa, salientando o lugar de Cristo diante da Humanidade e do Universo.

As Leituras bíblicas nos falam dessa Realeza.

A 1ª Leitura anuncia um "Filho do Homem", vindo do céu
para instaurar um REINO sem fim. (Dn 7,13-14)

Os judeus eram oprimidos pela dominação dos  gregos.
Antíoco IV queria impor a cultura e a religião grega à força…
Daniel, numa linguagem apocalíptica, anima as comunidades à resistência.
Numa visão noturna, Daniel, contempla quatro animais (reinos opressores), saindo do mar (símbolo do mal) e vê no céu um Ancião (Deus)
que confia ao "Filho do homem" o poder, a glória e o REINO.

A profecia se realiza plenamente com a vinda de Jesus.
Esse Reino, não obstante as perseguições, jamais terá fim.
É verdade que esse reino ainda hoje não se tornou uma realidade plena;
contudo, o Reino proposto por Jesus já está presente na vida do mundo,
como uma semente a crescer ou como o fermento a levedar a massa.
Compete a nós, discípulos de Jesus, fazer com que esse Reino
seja uma realidade bem viva e atuante em nosso mundo.

A 2a Leitura lembra que Cristo é o "Príncipe dos reis da terra"
que virá cheio de poder, de glória e majestade para instaurar
um REINO definitivo de felicidade, de vida e de paz.  (Ap 1, 5-8)

No Evangelho, Jesus confirma a sua Realeza. (Jo 18, 33b-37)

- Durante toda a vida pública, Jesus teve muito cuidado
  para não dar uma interpretação política à sua missão.
  Várias vezes querem fazê-lo rei, mas ele sempre se esquiva.
- Próximo da sua Paixão… sozinho, abandonado até pelos amigos,
  sem exército que pudesse vir a defendê-lo,
  no tribunal diante de Pilatos que lhe pergunta: "Tu és o Rei dos Judeus?"
  Jesus confirma a sua Realeza e define o sentido do seu Reinado:
  "Eu sou REI. Mas o meu Reino não é desse mundo...".
  "Para isso nasci e para isso vim ao mundo.
   Para dar testemunho da Verdade.
   E todo aquele que é da Verdade, ouve a minha voz..."

* A Realeza de Cristo é diferente:
Um Rei que veio para servir e salvar.
Um soberano capaz de aceitar uma coroa de espinhos.
Um Rei cujo trono foi uma cruz no alto de um monte.
Cruz que se tornou símbolo de vitória para nós.
Esse Reino cresce onde se manifesta a atitude de serviço,
a doação generosa em favor dos irmãos, onde cresce o respeito pelos outros,
o diálogo, o perdão, a solidariedade... a justiça... o amor...

A Liturgia, no Prefácio, explicita o tipo de Reino que Jesus veio trazer:
"Reino da VERDADE e da VIDA,
 Reino da SANTIDADE e da GRAÇA,
 Reino da JUSTIÇA, do AMOR e da PAZ."

+ Um Reino que não é desse mundo...
   mas que se importa com o mundo... solidário com as pessoas...

Hoje, como há dois mil anos, para muitos é Rei
só quem tem dinheiro, poder, glória, bens materiais, COISAS...

E CRISTO, ainda hoje, continua a nos repetir:
"Eu sou rei", não um rei de coisas, mas um rei de gente,
- sem o PODER que os homens tanto aspiram…
- sem a GLÓRIA que os homens tanto procuram…
- sem os BENS que os homens tão avidamente desejam…

+ Jesus nos convida a fazer parte desse Reino
   e a trabalhar para que esse Reino aconteça na vida de todos.

* Faz parte desse Reino, quem é da Verdade e escuta a sua Voz.
  - Procuramos na verdade escutar a sua voz, para entrar nesse Mundo novo?
  - Somos mensageiros desse Reino, na família, na rua, na sociedade,
    no local de trabalho?

- No Pai Nosso, Jesus nos convida a rezar:

  "Venha a nós o vosso Reino"

  Estamos aqui reunidos em oração, porque somos "cidadãos desse Reino".
  Façamos nossa a prece de Cristo: "Venha a nós o vosso Reino".

Desejaria que esse Reino… viesse de fato ao nosso coração e
ao coração de todos os homens: Reino de Verdade e de Vida;
Reino de Santidade e de Graça; Reino de Justiça, de Amor e de Paz…
Que assim seja…

                              Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 25.11.2012

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

ROTEIRO HOMILÉTICO DO 33.º DO TEMPO COMUM - ANO B




                      Comum 1233: Um novo dia


Estamos no penúltimo domingo do Ano Litúrgico.
A Liturgia nos fala do fim do mundo e da sua história.
É um convite à ESPERANÇA:
O Deus Libertador vai mudar a noite do mundo
numa aurora de vida sem fim.

As Leituras bíblicas, numa linguagem apocalíptica,
nos estimulam a descobrir, os sinais desse mundo novo,
que está nascendo das cinzas do reino do mal.

A Linguagem apocalíptica é um modo alternativo de falar,
bem compreendido pelo povo de então.
- Usa imagens fortes e misteriosas, cheias de elementos simbólicos.
  Mas o importante não são as imagens, mas o conteúdo que querem revelar.
- Não pretende adivinhar o futuro, mas falar da realidade atual do povo.
- Não pretende assustar, mas animar o povo em momentos difíceis.

Na 1a leitura, encontramos o Apocalipse de Daniel. (Dn 12,1-3)

O Povo judeu se encontrava oprimido sob a dominação dos gregos.
Muitos judeus, apavorados pela perseguição, abandonavam até a fé…
Deus enviou o seu anjo Miguel como defensor
dos que se mantiveram fiéis no caminho de Deus.

*O objetivo desse livro era animar o povo a resistir diante dos opressores
e lembrar que a vitória final será dos justos que perseverarem fiéis...
É a primeira profissão de fé na RESSURREIÇÃO, que se encontra na Bíblia.

Esse texto está em conexão com o evangelho de hoje,
que nos fala da 2a  vinda de Cristo e prefigura a vinda de Cristo libertador.

A 2ª Leitura apresenta a oferta perfeita de Cristo,                                                               que nos libertou do pecado e nos inseriu numa dinâmica de vida eterna.
É o caminho do mundo novo e da vida definitiva. (Hb 10,11-14.18)

No Evangelho, temos o Apocalipse de Marcos.  (Mc 13, 24-32)

Na época em que Marcos escreveu o seu evangelho,
as comunidades cristãs estavam agitadas e assustadas
por causa de guerras e calamidades,
como a destruição do templo, no ano 70 dC.

* Para tranqüilizar os cristãos, o autor usa uma linguagem apocalíptica,
descrevendo a catástrofe do sol e das estrelas e o aparecimento
do Filho do homem sobre as nuvens para julgar os bons e os maus.
Esse "Discurso escatológico" de Cristo é o último antes da Paixão.
Jesus anuncia a destruição de Jerusalém e o começo de uma nova era,
com a sua vinda gloriosa após a ressurreição.

- Não é uma reportagem, mas uma CATEQUESE sobre o fim dos tempos.  
A Intenção não era assustar, mas conduzir a comunidade a discernir                          os fatos catastróficos e o futuro da comunidade cristã dentro da História.
Não deviam ver como o fim do mundo, mas o início de um mundo novo.
Portanto, não deviam dar ouvidos a pessoas que anunciavam o fim do mundo.
Pelo contrário, deviam ver nos sofrimentos sinais de vida:
como dores de parto, que prenunciavam o nascimento de uma nova vida…

Quando vai acontecer isso?
A resposta é dada através da imagem da figueira:
Quando começa a brotar, o agricultor sabe que está chegando o verão…
e se alegra porque se aproxima a época da colheita.
- Quanto ao dia e hora, só o Pai sabe... mais ninguém...
Para nós o mais importante não é saber quando isso irá acontecer,
mas sim estar vigilantes e preparados para ele.

E as sombras que vemos no Mundo de hoje?
O desabamento de tantas certezas, que julgávamos indestrutíveis...
O desaparecimento de pessoas que julgávamos insubstituíveis.
O abandono de certas práticas religiosas que pareciam indispensáveis...
O esquecimento de tantos valores éticos e morais que tanto apreciamos...
O abandono da fé de tantas pessoas, que julgávamos fervorosas...
A violência, a corrupção, a opressão andam soltas...
  àComo devemos ver tudo isso? Será o fim do mundo?

A Palavra de Deus reafirma, que Deus não abandona a humanidade e
está determinado a transformar o mundo velho do egoísmo e do pecado
num mundo novo de vida e de felicidade para todos os homens.
A humanidade não caminha para a destruição, para o nada;
caminha ao encontro da vida plena, ao encontro de um  mundo novo.

Nós cristãos devemos ver a vida presente em estado de gestação,
como germe de uma vida, cuja plenitude final alcançaremos só em Deus.
Esse mundo sonhado por Deus é uma realidade escatológica.

Mas desde já um novo dia está surgindo...
Por isso, devemos ser para os nossos contemporâneos
sinais de esperança dessa realidade:
Gente de fé com uma visão otimista da vida e da história, que caminha,
alegre e confiante, ao encontro desse mundo novo, que Deus nos prometeu.
Deus que não nos abandona em nossa caminhada,
Ele vem sempre ao nosso encontro para nos indicar o caminho.

Da nossa parte, devemos estar atentos aos sinais de Deus,
confiantes nas palavras de Cristo, que nos garante:
  "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão".



                            Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 18.11.2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

ROTEIRO HOMILÉTICO DO XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B FONTE: http://www.buscandonovasaguas.com/



ROTEIRO HOMILÉTICO DO XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B
FONTE: http://www.buscandonovasaguas.com/

 
Dar sem medida

A Liturgia desse domingo nos fala do espírito
com que devemos fazer as nossas OFERTAS.
Dá muito quem dá tudo, mesmo que esse tudo seja pouco.

Duas viúvas são protagonistas nas leituras de hoje.

Na 1a Leitura, temos o Exemplo da viúva de Sarepta. (1 Rs 17,10-16)

O povo vivia numa época difícil de seca e fome.
O Profeta Elias chega à cidade de Sarepta, morto de fome e sede...
Encontra uma viúva a quem lhe pede água e pão.
- Ela dispunha apenas de um punhado de farinha e um pouco de azeite...
Ela oferece tudo o que tem e Deus abençoa a sua generosidade:
proporciona alimento, para ela e para o filho, durante todo o tempo da seca.

* Deus não abandona quem dá com alegria.
A generosidade, a partilha e a solidariedade não empobrecem,
pelo contrário, são geradoras de vida.

A 2ª Leitura nos apresenta o Exemplo de Cristo, o Sumo Sacerdote,
que se doa inteiramente pela salvação da Humanidade. (He 9,24-28)

O Salmo convida a confiar no Deus da vida, que ampara a viúva e o órfão
e confunde o caminho dos opressores. (Sl 146)

No Evangelho, vemos o Exemplo de outra viúva. (Mc 12,38-44)

Jesus senta-se perto da caixa de esmolas no templo e observa:
- De um lado, uma pobre viúva, oferece discretamente duas moedinhas;
- Do outro, gente importante dá solenemente grandes quantias...
Jesus censura o gesto dos fariseus e louva a GENEROSIDADE da viúva.
A oferta da viúva era pequena, mas era tudo o que ela tinha.
Deus não calcula a quantia que damos, mas o amor com que damos.

Duas viúvas, simples e humildes, revelam a grandiosidade dos pequenos gestos. Toda oferta que brota do coração tem valor incalculável aos olhos de Deus.
A hospitalidade da primeira é compensada pelo milagre de Elias
e a humilde generosidade da segunda merece de Jesus um grande elogio.

+ Se Jesus viesse hoje em nossa igreja, o que ele enxergaria?

- A que grupo nós pertenceríamos?
- Quais as pessoas que mais oferecem na comunidade?
  O Padre, os ministros, os animadores das pastorais? É difícil responder...
  Mas eu tenho a certeza, que muitas pessoas humildes,
  silenciosas, muito ocupadas, oferecem à comunidade
  um serviço semelhante à oferta da viúva:
  oferecem com sacrifício TUDO o que podem...
  E Deus não se deixa vencer em generosidade...
- E se Jesus olhasse as nossas OFERTAS, o que teria a dizer?
São ofertas generosas, dadas com alegria, como gesto de amor e de fé,
ou é um jeito para se livrar de uns trocadinhos?
Podemos dar uma esmola material, podemos partilhar nosso tempo,
nossos conhecimentos ou até nossa alegria com um sorriso.

E se olhasse o nosso DÍZIMO?
É uma oferta para retribuir a Deus um pouco do muito que recebemos
e assim participar na manutenção da nossa religião?
Ou apenas nos lembramos quando precisamos de um serviço da comunidade,
dando a idéia que é uma taxa para comprar algum sacramento?

- Na Bíblia, encontramos com freqüência uma verdade:
  Deus, embora criador de todo o universo,
  sempre quer e exige ofertas da parte dos homens.
- Assim já nas primeiras páginas da Bíblia, encontramos os homens
  oferecendo em sacrifício as primícias de seus trabalhos, 
  como homenagem de gratidão a Deus.
- Encontramos: Abel e Caim oferecendo um sacrifício a Deus. (Gn 4)
  Deus aceitou o de Abel e rejeitou o de Caim...
- No Antigo Testamento: tinham taxas fixas: o DÍZIMO...
- Primeiros cristãos: punham os bens em comum...

A Igreja retomou o Dízimo, como um dos PRECEITOS,
que os nossos católicos esquecem com muita facilidade.

O costume do dízimo foi introduzido por Deus.
No Livro de Malaquias, Deus se queixa de quem o "enganava",
por não pagar "integralmente"...  (Ml 3,6-10)
    à Será que ainda hoje há gente, que continua enganando?

QUANTO se deve dar?
Deus não nos dá uma taxa fixa. Deixa a critério de nossa generosidade.
Entre os Antigos, dava-se o Dízimo (10%),
atualmente muitos cristãos dão o Centésimo (1%) da renda familiar,
outros o correspondente a um dia de trabalho por mês...
Deve ser uma verdadeira oferta, não apenas uma esmola insignificante...

No Evangelho, vimos muitos ricos colocando grandes quantidades,
e a única pessoa que impressionou a Cristo foi a pobre viúva,
que não pôs muito, mas deu tudo o que tinha, e com alegria.

Dízimo não é doação apenas de dinheiro.
Podemos dar também o nosso tempo, em favor da comunidade...
Tudo pode ser feito com gestos muito simples, como o da viúva...
- Como partilhamos aquilo que somos e temos?

A Escritura nos garante: "Deus ama a quem dá com alegria". (2Cor 9,7)

                                                              Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 11.11.2012